quarta-feira, novembro 16, 2011

Deus, Pátria e Família

Dentro da mesma empresa posso ter uma seguradora, um banco e uma agência de notação. Compro um produto A, um produto A bom, vendi muito para lá e os meus amigos também venderam. Ups, o produto A deixou de me dar as garantias de um pagamento regrado, parcelar e com juros chorudos. Kaos, lama, lodo, lixo, lixo menos, cloaca, aterro a céu aberto. Não quero esse produto A, acho que não me vai pagar como eu quero e como eu quero. Mas espera, tive uma ideia vou criar um seguro para o caso de ele não me pagar (claro que esse seguro não tem a mínima cobertura, mas ninguém regula por isso é na boa) e vou mostrar aos meus amigos. Vejam, vejam, tenho aqui outro produto B bom. O primeiro A não presta, não paga, não quero, acreditem que não vai pagar, vejam que não vai pagar, vejam com não pagou, foi chulado (ai desculpem, foi resgatado), viram eu disse-vos que aquilo não prestava, era cloaca menos. Mas este seguro B para não pagamentos é mesmo bom porque quanto menos possibilidade o produto A tem de pagar mais podem investir no produto B. Este produto B é bom, B de bom. O produto B serve também para produtos A chulados (ninguém regulada um caneco, eh eh eh). Olhem o produto B, bom a subir, olhem, olhem, invistam, invistam, eia dinheiro, kaos, regalo. Agora comprem e vendam, ta a subir, vendam, vendam, rendam, rendam (eia ninguém regula um pirilau, eh eh eh). Ups, acho que o produto A está mesmo doente, prekariatt, azalariatt, fome au proletarriatt. Não há problema - golpe de estado - amigo technokratt aun governatt. Comprem, comprem, vendam, vendam...

Queria falar do maravilhoso Mark McGuire- Get Lost, mas acabei na toilette porque ando muito preokupatt.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Isaac "Redd" Holt Unlimited - Takers

TINARIWEN- TASSILI (2011
Num planeta insignificante (V2E003), uns seres insignificantes (os humanóides)exploravam seres da mesma espécie, submetendo os pobres coitados a pura escravatura. Ao mesmo tempo uns humanóides de gravata tinham uma reunião e utilizavam uns termos complicados como "globalização" e "profit" - termos que ainda hoje não percebi - mas nunca se referiam aos pobres explorados, era como a exploração tivesse sido banalizada e globalmente aceite. Estes humanóides eram tão egoístas que utilizavam todos os recursos que o insignificante V2E003 podia oferecer, depois andavam à porrada por causa de coisas como petróleo, religião ou pedaços de terra. Seres estranhos devo confessar. Não fiques desesperado caro amigo, tentarei ser breve. Os humanóides eram muito heterogéneos e havia-os de fundo bom. Mas olha isto. Havia uns humanóides que aproveitavam o "profit" e o punham à disposição de todos. Outros humanóides compravam e vendiam todos contentes, havia umas cotações que subiam e desciam, ninguém regulava nada e estes seres criavam produtos que de facto não existiam, mais uma vez davam-lhes nomes peculiares como "derivatives", "credit default swaps" ou "short selling", basicamente serviam para cotar tudo naqueles leilões, até os seguros contra falência, já estás a ver... Como a máquina não tinha regras havia especulação da brava e os humanóides (como confundiam egoísmo com inteligência) começaram a tornar ideias em potencial de investimento. Basicamente, vendiam a ideia que um produto era bom para os outros. Imagina só, caro amigo, faziam isso até com pedaços de terra ao qual chamavam países. Como os povos oprimidos e explorados, também havia países explorados. Eles faziam com que os países ficassem sem dinheiro e depois emprestavam com juros e altos! Imagina que havia países que aceitavam tudo o que lhes impunham, alguns diziam que tinham de dar credibilidade aos "mercados" (outro termo estranho que depois percebi ser igual a grandes bancos) e exploravam os humanóides mais pobres até eles ficarem todos "pobres explorados" (como lhes chamei acima). Estas medidas levavam sempre à pobreza e caos nos países pobres, mas eles insistiam que tinha de ser. Ao mesmo tempo os ricos tiravam ainda mais dinheiro dos países pobres e metiam-nos nuns bancos ainda mais desregulados e com menos taxas aos quais chamavam "paraísos fiscais". Bem nem dá para acreditar nisto, pois não? Claro que os pobres se revoltaram e depois uns malucos construíram uma bomba gigante e rebentaram com tudo, imagina só, que foi por causa de uma coisa a que fanaticamente chamavam religião. Poucos humanóides sobreviveram, estes foram depois destruídos pelo asteróide F09451.
Depois faço-te o relatório completo. Isto é só para teres uma ideia da balbúrdia que aqui havia. Agora da minha nave vejo como planeta ainda é bonito. Tem muita água e levo-te algumas células que penso que irão ficar cada vez mais complexas.
Espero chegar depressa ao centro do universo - o planeta terra e encontrar os restantes humanos. Tenho muitas saudades vossas.
Olha trouxe um disco, de uns bons humanóides que fugiam daquela confusão e gravavam no deserto. É um grande, grande disco!

sábado, novembro 05, 2011

We Are The 99%

DOUG HREAM BLUN, ASCAP - GENTLE PERSUASION (SR)
O que é isto?
O que-quer-que-seja foi gravado em casa do Doug (?) que convidou um pessoal da escola para tocar umas malhas groovy. O Doug cantava suavemente tipo rap erótico e metia umas guitarradas por baixo. A malta da escola olhava para o Doug com admiração embora na maior parte do tempo olhassem para o chão. Curtiram muito e fizeram música brilhante-sundance!
Comparações a Ariel Pink é para esquecer. Estes eram os freaks-for real!
Os outros - os desajustados jantaram esta semana. Eram 20 e assistiram a um jogo no Olimpo. Não foi nada bonito.
O Doug ainda toca na California.
Wild style your smile
:)

terça-feira, novembro 01, 2011

War on Drugs

GARY HIGGINS - A DREAM A WHILE BACK (Drag City, 2011)
Álbum submerso em ácido. Na recuperação da Drag City, um conjunto de grandes canções (psych-folk?) até agora perdidas em 1970-71, criadas por um talentoso compositor que tirava da alma os acordes e cantava ao acordar - não sabemos se é dor, se é ressaca, álcool, outras drogas ou tudo junto. Vamos com ele, para onde ele nos levar (todos vamos a sítios diferentes). Só voltamos a respirar quando chega Oxygen. Ainda há disso e todos precisamos.

Out of Tune

Once in a while...

REAL ESTATE-DAYS (Domino, 2011)
Começando em San Diego downtown, de bicicleta, subimos em direcção ao mar, apanhamos Sunset Cliffs e ao longo da costa até Ocean Beach. As pessoas estão na varanda a beber ou apenas a apanhar sol (as casas de madeira alinhadas:), umas quando saem do trabalho, outras trabalham sem horário, outras não trabalham. Há concertos na praia, skaters e surfistas. Continuamos para Mission Beach até La Jolla. Aí tomamos banho com os leões marinhos. Só mordem se tivermos peixe na mão.
O imaginário e a via mais directa de lá chegar - o novo álbum dos Real Estate. Pode ser leve, passageiro, mas faz-nos lembrar que não precisamos de ser robots, trabalhar até à exaustão, passar ao lado da vida, para depois não haver reconhecimento, nem dinheiro - que parece ter substituído tudo (até a dignidade) - assim aceitamos o que nos dizem, comemos a inevitabilidade (como se não houvesse outro prato:/), contiuamos a ser robots, a máquina emperra mas demora a partir. No fim queixamo-nos e fazemos competição a ver quem é o mais desgraçado. What`s the point?

sábado, fevereiro 26, 2011

Nada A Perder



Desculpem a intermitência...

PROZAC_MIX_BLIND_JOE_DEATH (ZShare)

PROZAC_MIX_BLIND_JOE_DEATH (SoundCloud)

> gala drop- drop
> tortoise- djed
> oneothrix point never- describing bodies
> oneothrix point never- ouroboros
> phantom band- rolling
> gastr del sol- dry bones in the valley (i saw the light come shining ´round and ´round)
> talk talk- ascension day
> style council- our favourite shop
> barbara morgenstern- ein versuch
> depeche mode- leave in silence

JP*

terça-feira, setembro 28, 2010

As Naus

Ora Tágides fugiram,
Oh acalmia que desapareceu,
De tempos em tempos,
Defenestra-se o Eu.

Nova mixtape. Sem promessas de regularidade. É apenas uma janela :)



PROZAC_MIX_KING_OF_THE_BEACH (ZShare)

Playlist:
>helen- Zanzibar (afro mix)
>kindness- swinging party
>mandre- light years
>dubtribe soundsystem- do it now
>dj nature-everyone
>i love you (justin vandervolgen edit)
>munk- la musica (tiago rmx)
>tiago- motorcycles (neville watson rmx)
>voyage- I love you dancer
>jackson 5-dancing machine (henrik Schwarz edit)
>clout- sunshine baby
>gene clark- winter in
>boxing joe- resonance

Enjoy*

JP

quinta-feira, abril 01, 2010

Plesetsk



Dark & Loud

PROZAC_MIX_COSMODROME (ZShare)

Playlist:
> pilooski-aaa
> sammy barbot-mexico (lovefingers edit)
> henrik schwarz-once again (kuniyuki instrumental)
> al usher-lullabye for robert (prins thomas rmx)
> rick poppa howard-I won`t lay back
> scott hardkiss-come on, come on (morgan geist rmx)
> mr.fingers-stars
> detachments-h.a.l (andrew weatherall rmx)
> martin buttrich-l2
> oni ayhun-oar 003b

JP*

quarta-feira, março 17, 2010

Hajm-E Khaali



Desert acid.

PROZAC_MIX_LORD_IS_GOOD (ZShare)

Playlist:
> group bombino- imuhar
> rail band- badialame
> gospel conforters- yes god is real
> distortions pop- shut up
> peter green- slabo day
> ellison- strawberry rain
> lee dorsey- get out of my life, woman
> barbara mason- darling come back home
> christine perfect- close to me
> moondog- bird´s lament
> jim o`rourke- ghost ship in a storm
> john martyn- head & heart
> famous scrubs- poor freetown boy
> slight delay- cigana
> kamuran akkor- ikimiz bir fidaniz (baris k edit)
> rev. i.b. ware with wife and son- you better quit drinking shine

JP*

Inerane

GROUP BOMBINO- GUITARS FROM AGADEZ VOL.2 (Sublime Frequencies, 2007)
Grupo liderado por Oumara AlMoctar- ne` Bombino, nascido em 1981, mantém vivo o espirito de guitarra Tuareg. Segundo reza a história cresceu a ouvir Ali Farka Touré, moldando o seu estilo ao ácido do deserto, bem mais puro.
Quando há ideias e pessoas com vontade de construir, ultrapassa-se com relativa facilidade questões que para um comum residente no planeta terra parecem cruciais: o dinheiro, neste caso a falta dele. Quando assim é encontra-se força no grupo, energia vital, emprestam-se instrumentos e sistemas de som, muitas vezes na reserva das suas possibilidades, não importa. É assim a "cena" de Agadez, isolado do resto de Niger por terrenos minados! Há uma única estrada, reservada a militares, os conflitos são frequentes.
No fim de contas pedem autonomia, dignidade e respeito (we all do...)

JP*

quarta-feira, março 10, 2010

Sunshine In My Heart

SPACE ODDITIES VOL.2- A PSYCHADELIC JOURNEY THROUGH LIBRARIES (Permanent Vacation, 2009)
Alexis Le-Tan e Jess compilam um álbum coerente e de impressionante beleza. Groove lento, narcótico e quase paradoxalmente euforizante, potenciando tudo o que há de opióides naturais e seus receptores, uns mais tranquilizantes, produzindo um bem estar geral quase extasiante. Ou então absoluto delírio que me faz escrever tamanhas barbaridades. Não há disforia descrita.
Aqui reunidas verdadeiras pérolas de produções esquecidas de editoras como a KPM, Telemusic, Crea, Sonimage, Cardium, etc. Muito material Francês e Italiano, híbridos, fusões logicamente sequenciadas. E, quando há uma voz que nos fala ao ouvido a cabeça sai definitivamente daqui ("can you dig it mister?"), não há regresso possível.
Endless Flight :)

JP*

terça-feira, março 02, 2010

Are We Machines

BEAVER & KRAUSE- IN A WILD SANCTUARY (1970, Collector`s Choice Music)
Pioneiros na música electrónica, introduzindo sintetizadores em alguns temas dos "Doors" e "Byrds", por exemplo.
Quando decidiram produzir em nome próprio, abriram um vasto leque de possibilidades para o sintetizador Moog, incluindo jazz, blues, rock, drone, ambiente... talvez criando algumas destas vertentes- "expandindo os paradigmas da música" como os próprios dizem.
Neste álbum foram usados sons do Zoo de São Francisco, pássaros, carros e Bach. Ainda percussão assombrosa a cargo de Milt Holland, sopros por Bud Shank, Hammond nas mãos de Dave Grusin e guitarra Jazz por Howard Roberts.
Não é actual, é intemporal!

JP*

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Endless Flight



Torpor.

PROZAC_MIX_FUTURE_DAYS (ZShare)

Playlist:
> can- future days
> beaver & krause- another part of time
> faust- jennifer
> henri texier- amir
> serge gainsbourg- melody
> david crosby- cowboy movie
> cluster- rosa
> alice coltrane- journey in satchidananda
> sensational saints- how great thou art
> amon düül 2- cerberus
> west coast pop art experimental band- i wont hurt you
> ali farka touré & toumani diabate- kala djula
> john fahey- remember

JP*

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Opiate

THOMAS FEINER & ANYWHEN- THE OPIATES REVISED (Samadhi Sound, 2008)
Recomendação de David Sylvian.
Após longo período no estúdio a banda "Anywhen" terá abandonado Feiner em Gotemburgo com um álbum incompleto, que demorou mais dois anos a acabar. Valeu a pena!
Disco de impacto lento, mas tremendo. Ambiente negro, de arranjos simples, envolventes, permitindo espaço e sentimento à voz de Thomas Feiner.
Podíamos falar de "Blemish" do próprio Sylvian, alguns momentos de Nick Cave ou Scott Walker, mas o que aqui se passa é tão único e emocionante, que não nos chegam simples comparações.
Um clássico de sempre, algo perdido nesta década.
Tem o seu lugar cativo nos nossos corações e como diz o grande Gil Scott-Heron "the revolution will not be televised".

JP*

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Private Suite

Mixtape. Viagem por estados de espírito.



PROZAC_MIX_PRIVATE_SUITE (ZShare)

Playlist:
> soft rocks- leave your earth behind (roots unit rmx)
> aliens- sunlamp show (disco bloodbath rmx)
> lullabies in the dark- code 718
> discodeine- invert (parce que edit)
> m- pop music (todd terje rmx)
> findlay brown feat. stallions- stallions suite
> petalouda- what you can do in your life
> d.r.hooker- forge your own chains
> yegelle tezeta
> john martyn- bless the weather
> isaac johnson- nitsi koko ko ko

JP*

sábado, janeiro 02, 2010

Stallions Suite

Lovefingers tem- me como fã e admirador incondicional. Se é possível, ainda mais com estes 2 sets magistrais no BIS.
Espero vê- lo (ou com Lee Douglas) num futuro breve...
Além disso já me fez gastar demasiado dinheiro em discos :)

FORGE YOUR OWN CHAINS: HEAVY PSYCHADELIC BALLADS & DIRGES 1968- 1974 (Now Again, 2009)
Tanta coisa incrível que foi feita, tanta poeira na cara, fumo no ar, alterações da consciência e estados de alma induzidos não necessariamente por químicos externos, mas essencialmente por químicos internos potenciados pela música- nada mais que um estímulo externo sem impurezas.
O prazer é tão grande que nos perguntamos o que seríamos sem isto! A verdade é que até há pouco não tinhamos e alguma coisa éramos. Obviamente são apenas estados de alma induzidos :)
Apresentação incrível, em cartão (como é bom costume), com informação detalhada de cada banda e contextualização do tema.
Dr. Hooker dá tema título e ainda podemos viajar à Coreia do Sul com 'Shin Jung Hyn & The Men feat. Janh Hyun's Twilight', ou ao Irão com Kourosh Yaghmaei's 'Hajm-E Khaali'.
Um must!

JP*

domingo, dezembro 20, 2009

Lush

STEVE REICH- MUSIC FOR 18 MUSICIANS (ECM, 1974- 76)
Obra seminal. Pura catarse.
Esta peça foi escrita para um violoncelo, um violino, dois clarinestes, quatro pianos, três marimbas, dois xilofones, um metalofone e quatro vozes femininas. Ainda assim, avisa Reich, não é aconselhável tocá- la com tão poucos músicos devido às múltiplas e complexas dobragens!
Imagine- se ciclos de onze acordes, cada acorde rodeado de um pedaço de música ou sons adicionados, voltando ao início no fim da peça. Ou seja, uma padrão complexo e único a cada "pulso", assim como um imprinting genético.
Foi usada respiração humana nas vozes e nos sopros, aguentando a nota até ao limite das capacidades, enquanto a descontrução melódica vai acontecendo.
O resultado final é deliciosamente simples e belo! :)

JON HASSELL- LAST NIGHT THE MOON CAME DROPPING ITS CLOTHES IN THE STREET (ECM, 2009)
Talvez seja necessário ouvir Black Sattin de Miles Davis para entrar neste quarto mundo, onde a música étnica, tribal, jazz e electrónica se fundem.
Deixando de parte as colaborações, nomeadamente o incontornável "fourth world vol 1: possible musics" com Brian Eno. Hassell é ele próprio essencial para quem quer navegar pela música indefinida, David Sylvian e Fennesz que o digam.
É impossível identificar onde acaba a improvisação, onde começa o sample ou o meio do acorde; a simbiose é total e o ambiente é refinado até à perfeição. Para isso contribuem músicos de excelência: Peter Freeman no baixo, Kheir Eddine M'Kacich no violino, Jan Bang em alguns samples e Eivind Aarset na guitarra, Hassell conecta tudo não desligando o trompete.
Demasiado importante!

JP*

sábado, novembro 21, 2009

Discreet Music

Nesta mixtape estão alguns dos meus discos favoritos. Uns para 2009, muitos para sempre.
Jon Hassell já esteve e Moritz Von Oswald estará em Portugal com 2 datas, uma delas em Coimbra! Maria Matos sempre em grande...



PROZAC_MIX_JARMUSCH (ZShare)

> i am the cosmos- final form
> jon hassel- northline
> moritz von oswald trio- pattern 3
> blues control- tangier
> fuck buttons- lisbon maru
> fennesz- a year in a minute
> alps- hallucinations
> steve tibbets- mission
> sun ra- sleeping beauty

JP*

sábado, novembro 14, 2009

Suttree

Nova mixtape com algumas músicas que "blow my mind"...

Aqui tributo a Jerry Fuchs e Marcus Worgull num dos meus "sets" favoritos!



PROZAC_MIX_SLEEPING_BEAUTY (ZShare)

> stars and bars- stars n` bars
> amanda lear- new york
> larry paul emmet- evita
> dave samuels- new math
> villa- tina
> big ben tribe- tarzan loves the summer nights
> the chequers- theme one
> chaz jankel- whisper
> stevie wonder- master blaster
> salma agha- come closer
> runa laila- suno suno
> the neville brothers- fly like an eagle
> pierre lx- gabita

JP*

terça-feira, novembro 10, 2009

Family

Aqui ficam dois textos magistrais escritos pela mão do amigo Rui Silva, originalmente publicados em MACA magazine

Loren Connors & Jim O’Rourke- “Two Nice Catholic Boys” (2009/ Nova Iorque, EUA / Family Vineyard)
Loren Connors é um dos mais talentosos e prestigiados guitarristas do avant blues nova-iorquino. Obsessivamente, ao longo de 30 anos repletos de edições, tem vindo a apurar o seu interesse no blues do Mississipi, desenvolvendo uma visão singular e vanguardista assente nas raízes profundas da música tradicional americana. Não menos talentoso, Jim O’Rourke tem percorrido o caminho inverso, optando por não mergulhar a sua visão em estilos nem em tendências, acabando por criar um catálogo coerente, mas que se apoia em fontes absurdamente díspares.
Em 1997, já O’Rourke tinha reeditado na sua Dexter’s Cigar o maravilhoso “In Pittsburg” de Connors, quando juntos percorreram algumas salas europeias para um conjunto de concertos dos quais seleccionou estes 47 surpreendentes minutos de improvisação.
Nas peças expostas nesta edição da Family Vineyard, os dois guitarristas apresentam luxuosas improvisações, vagueando entre uma panóplia de estados, do dedilhar cru e ruidoso de Connors à leveza e harmonia da guitarra de O’Rourke. Em “Maybe Paris”, o primeiro e mais longo tema dos três, os dois guitarristas incendeiam a sala com distorção, até que, espontaneamente, ao fim de cinco minutos, O’Rourke rompe com um desarmante e melódico riff, que acompanha o som “patenteado” de Connors. É notável como O’Rourke tem a capacidade de se adaptar ao universo dos músicos com quem colabora.
Independentemente das direcções seguidas por Connors e O’Rouke após estes registos, sublinhe-se que em “Two Nice Catholic Boys” as guitarras de ambos fluem excepcionalmente na mesma corrente. Não é acaso que, por estes anos, John Fahey os referenciou como os guitarristas mais influentes na sua fase eléctrica.

Magik Markers- “Balf Quarry” (2009/ Chicago, EUA / Drag City)
Podemos traçar o percurso dos Magik Markers em dois capítulos – antes e depois da saída da baixista Leah Quimbyv em Maio de 2006. Não se sabe até que ponto terá sido influente, mas, desde a sua saída, o som tenso e improvisado que marcou as primeiras gravações deu lugar a um som, não menos energético, porém mais estruturado e melódico.
Depois de “Boss”, o excelente trabalho de 2007 produzido por Lee Ranaldo e editado pela Ecstatic Peace de Thurston Moore, chega-nos “Balf Quarry” pela Drag City. Tal como qualquer outro disco dos Magik Markers, não é um disco imediato. O seu espírito rebelde e livre encarna o formato de canção tradicional com resultados muito interessantes. As analogias com o trabalho anterior são evidentes, no entanto, em “Balf Quarry”, Elisa Ambrogio e Pete Nolan estão mais focados numa estética rock americano dos anos 80. Há discos que são mesmo assim, provocam uma ansiedade por descobrir e revisitar o passado. Em “Jerks” a influência dos padrinhos Sonic Youth é óbvia e dificilmente refutável. Contudo, os Magik Markers são felizmente mais extremistas, alternando surpreendentemente entre a ferocidade “The Lighter Side Of… Hippies” e o brilho de “Ohio R./ Live/ Hoosier”, a mais espantosa canção rock que se ouviu este ano.
Em 2005, Ambrogio confessava à publicação britânica The Wire a propósito da recente digressão com os Sonic Youth “Eu gosto de tocar com bandas que nos obrigam a ir mais longe. Grande parte da música é apenas uma revisitação do passado. Eu quero concentrar-me na música que fazemos e na nossa própria linguagem. Para mim, esta é a única possibilidade de qualquer nova música poder existir”. A caminhar neste sentido os Magik Markers não estão longe de marcarem uma geração de rock americano.

Rui Marques da Silva